quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O assistencialismo como produto da Indústria Cultural

Sabemos que entre tantos outros traços culturais do brasileiro, está o de se comover com as dificuldades vividas por pessoas carentes. E quando isso é exibido na TV, então... o lado caridoso do brasileiro se decuplica!

Sabendo disso, a mídia não perde nenhuma oportunidade de explorar, ao máximo, fatos que levarão sua audiência subir ao topo.

Ora, basta ligar a TV, a qualquer horário, que as chances de se encontrar uma matéria em que se mostre o apresentador ou a produção do program "ajudando" pessoas carentes são enormes.

A "caridade" é a mais diversificada possível. Ajuda-se pessoas a voltar para sua terra, a revigorar a "lata-velha", a construir um sonho de casa.

Mas, você já parou para pensar no que está por trás de tudo isso? Será que as pessoas que fazem estes programas estão realmente preocupados com o bem-estar daqueles a quem estão ajudando? Será que eles querem que o Brasil seja um país com maior distribuição de renda, para que não seja preciso "dar esmolas" em programas de TV?

Eu penso que não. Acredito que, na verdade, para eles é melhor que a situação de dependência das pessoas se prolongue pelo máximo de tempo possível. Assim, terão sempre "pano-pra-manga". Dificilmente alguém, que leva vantagem com o fato de outrem depender de si, vai querer, realmente, que essa fragilidade acabe.

"Ajudando" os "coitadinhos", e mostrando isso com sensacionalismo exacerbado, os apresentadores de TV se tornam, na opinião de muitas pessoas, homens e mulheres "abençoados", "pessoas de Deus", e tantas outros títulos de nobreza que os afortunados conseguirem pensar.

Sim. É verdade que aquelas pessoas que são sorteadas acabam sendo beneficiadas. Ganham um carro novo, uma casa nova... Mas eles sequer imaginam que são ojeto de um modelo social e econômico que, enquanto as "ajuda", contribui para a manutenção do sistema de distribuição de renda imensamente desproporcional.

A cada caso apresentado num desses programas de TV, inúmeros anunciantes aproeveitam para fazer propaganda de sua marca, gerando lucros exorbitantes ao tornar sua marca conhecida e dar-lhe uma aura de "santidade". Muita gente acaba comprando produtos daquela marca específica, porque ela "ajuda os pobres coitados".

Enquanto isso, os apresentadores se firmam como pessoas de sucesso em suas profissões. Ao conseguir fazer um quadro assistencialista virar febre, eles aumentam ainda mais seus salários - que são astronômicos e que equivalem a milhares de salários mínimos. Ou seja, um apresentador, mensalmente, ganha o que milhares de trabalhadores não ganharão durante toda a sua vida. E isso é uma característica da disparidade da distribuição de renda no sistema capitalista em que vivemos.

Que fique claro: este texto não pretende julgar e "endemonizar" os apresentadores ou os programas de TV que se aproveitam da desgraça alheia e a transformam num produto da Indústria Cultural (que é vendido a preços astronômicos, embora chegue até o público com "gratuidade")para trazer audiência para si. Afinal de contas, é provável (embora eu prefira acreditar que conseguiria resistir a tentação) que muitos de nós, se tivéssemos a mesma oportunidade, estaríamos fazendo a mesma coisa. Mas é preciso que reflitamos sobre isso e pensemos que nem sempre, ou quase nunca, as intenções são tão nobres quanto parecem...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Atendendo a pedidos

Este blog surgiu para ser objeto de avaliação da disciplina de Informática (Professora Jussara Moreira) do curso de Jornalismo em Multimeios da UNEB.
Porém, gostei muito da idéia de compartilhar um pouco sobre o que penso e pretendo continuar expondo minhas idéias.
Aguardo vocês nas próximas postagens!